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Janeiro 16, 2004Angústia e solidão no novo filme do diretor de Amores Brutos por Pedro Beck Quantos gramas você perde quando ganha 21 gramas é a questão reflexiva subliminar de 21 Gramas. Você perde tal numero de gramas quando seu corpo morre ou quando você não vê mais sentido à sua vida? O novo filme - primeiro em inglês - do aclamado diretor cult Alejandro Gonzáles Iñárritu, o mesmo de Amores Brutos e também um dos co-diretores do magnífico documentário 11'09'01, explora os sentimentos de amargura, dor e culpa em três histórias não lineares que se cruzam drasticamente mudando a vida de três personagens repletos de emoções profundas e eloqüentes. Os mesmos são Paul Rivers, Cristina Peck e Jack Jordan. O primeiro, cuja a ótima interpretação é de Sean Penn, é um matemático doente que se encontra no corredor da morte, esperando uma doação de coração. Sua única esperança é um transplante no que pode ser, seu ultimo mês de vida. A segunda é uma mulher feliz e aparentemente bem sucedida mãe de duas filhas, fruto de um casamento fiel. O copo que representa sua vida, felicidade e amor é transbordado, transformando sua vida em amargura e solidão quando o terceiro personagem, Jack Jordan, um ex-marginal que se entregou a Jesus em busca de redenção, atropela sua família. O último é representado brilhantemente, por Benicio Del Toro, talvez a melhor performance de sua carreira como já frizou o ator. Naomi Watts também cumpre fielmente seu papel e surpreende por não aparecer na lista de melhores do ano no Globo de Ouro, mesmo a premiação sendo famosa por trambiques, a interpretação é de tirar o chapéu e não merece estar de fora. O que se segue durante os 125 minutos de projeção apresentados digitalmente, é uma busca por uma identidade e um ponto de partida quando a esperança no passo seguinte é quase inexistente. 21 Gramas questiona a fé e o sentido da vida quando se perde algo de valor e quando se ganha. Não é algo fácil de assistir, levando adiante os questionamentos e dúvidas perante as angústias, e virando e desvirando do avesso à condição humana que com o passar do filme se degenera cada vez mais intensamente.
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