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Janeiro 16, 2004


Multiplex #02: A Segunda Parte


por André Sirangelo


Pra começar este novo ano e esta nova fase do Plano Geral, Multiplex aproveita para lançar uma visão pessoal sobre a nova versão de O Senhor dos Anéis: As Duas Torres, que chegou aos cinemas brasileiros no final do mês passado e, se os Valar atenderem nossas preces, deve ser lançado em breve em DVD por aqui.

Turbinada com mais 39 minutos de cenas alongadas ou totalmente inéditas, a versão estendida da segunda parte da trilogia é de fato um filme muito melhor do que a cópia lançada nos cinemas. Dessa vez, as cenas que ficaram de fora não são mero adorno, tornando diversas passagens mais compreensíveis para aqueles que não leram o livro - e também mais aceitáveis algumas mudanças que Peter Jackson e sua equipe de roteiristas fizeram na obra original.

As melhores novidades:

1) MERRY & PIPPIN
É outra história. Enquanto na versão original os dois hobbits permanecem praticamente o tempo inteiro montados nos galhos de Barbárvore, aqui foram adicionadas as passagens do livro que sinalizam as mudanças pelas quais os dois estão passando durante a jornada. Vemos os dois bebendo a água dos Ents e crescendo alguns centímetros, ficando presos entre as raízes de uma árvore de Fangorn e encontrando, em meio à inundação das terras de Saruman, um depósito de comida e erva-de-fumo.

2) HOMENS DE GONDOR
Na época do lançamento de "As Duas Torres" no cinema, muitos fãs se sentiram incomodados com a mudança do caráter de Faramir. Na versão longa, a alteração permanece, mas muito melhor desenvolvida. Um longo flashback introduz na história o pai do capitão de Gondor, Denethor, personagem importante na terceira parte da trilogia. Vemos como Faramir é menosprezado pelo pai, que só valoriza os feitos de seu primogênito, Boromir, enviando-o para Valfenda para tentar trazer o anel para Gondor, sem saber que a missão lhe custaria a vida. A inclusão de alguns diálogos também na cena em que o exército de Faramir captura Frodo e Sam ajuda a entender porque, na versão de Peter Jackson, a passagem dos dois hobbits por Henneth Annûn (o esconderijo do exército) é recheada de tensão, e não um momento de alívio e descanso antes da etapa final de sua jornada.

3) O REINO DOS CAVALEIROS
O funeral de Théodred e os diálogos e cenas adicionais envolvendo o rei Thédoden e os cavaleiros liderados por Éomer ajudam a contextualizar esta que é a principal linha narrativa do filme: Rohan, o reino de glórias esquecidas no tempo, a um passo da queda. O primeiro peão a ser derrubado no jogo de destruição de Sauron e Saruman.

4) "OS ENTS DESCOBRIRÃO QUE SÃO FORTES".

Ao contrário da versão original, a reação dos Ents perante a destruição da floresta é bem desenvolvida, principalmente através de uma cena em que Saruman ordena a derrubada das árvores, e de um diálogo entre Gandalf, Aragorn, Gimli e Legolas após seu reencontro em Fangorn, no qual Gandalf diz que os Ents estão para despertar e revelar seu poder. Peter Jackson incluiu ainda duas cenas de grande impacto no livro: a "caminhada" das árvores e a chegada da floresta ao Abismo de Helm, onde ela literalmente engole os Orcs sobreviventes à batalha do Forte da Trombeta.

5) "43!"
O humor está mais presente na nova versão, não só pela incursão de Merry e Pippin à despensa de Isengard, mas também pela inclusão de um divertidíssima cena em que Gimli e Legolas relatam sua contagem final de Orcs exterminados. Vemos ainda Aragorn enfrentando um inimigo que foi cortado na versão cinematográfica: um ensopado preparado por Éowyn.

Apesar dos acertos, a nova edição do segundo filme da trilogia não corrige seu maior erro: o discurso chumbrega de Samwise em Osgiliath, ao som do único trecho da (fenomenal) trilha sonora em que Howard Shore errou radicalmente de tom e exagerou no melodrama. Um final lamentável, que não tira os méritos deste épico praticamente sem outras falhas, mas que sinaliza a relativa fragilidade de "As Duas Torres" perante os irretocáveis "A Sociedade do Anel" e "O Retorno do Rei".

 

 

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