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Fevereiro 3, 2004


Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo

Reconstituição e batalhas são os pontos fortes do novo filme de Peter Weir, indicado a 10 Oscars

por André Sirangelo


Competente aventura marítima do mesmo diretor de "O Show de Truman", Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo atira a platéia no ano de 1805, ápice das guerras napoleônicas, a bordo de um navio de combate da marinha inglesa liderado pelo capitão "Lucky" Jack Aubrey (Russel Crowe).

Sob a sombra da derrota na batalha de Trafalgar pelos britânicos, os navios de Napoleão avançam cautelosos pelos mares do sul, investindo contra a frota inglesa e buscando enfraquecer uma das poucas nações européias que ainda resistem à expansão do império de Bonaparte.

No filme de Peter Weir, baseado numa série de romances do inglês Patrick O'Brien, porém, o foco está longe de ser o intrincado panorama político da época. Enviado aos mares do Brasil, o H.M.S. Surprise, sob o comando de Aubrey, se vê perseguido por uma embarcação francesa, o que culmina num espetacular confronto na costa do arquipélago de Galápagos. O roteiro isola o navio e sua tripulação, de modo que o mundo externo pouco importa, e o fiel retrato da rotina à bordo se torna o seu ponto alto, ao lado das sequências de batalha.

A performance morna de Crowe de certa forma ofusca a empatia que a figura do personagem-título poderia exercer sobre o espectador, e quem rouba a cena é Paul Bettany ("Dogville"), no papel do médico de bordo. Sem maiores destaques entre o elenco e sem muito mais o que dizer, "Mestre dos Mares" não se mostra como algo além de divertimento de luxo, mas também não cai em armadilhas fáceis que acometem tantos filmes de guerra, o que em si já é um grande trunfo deste bem dirigido e historicamente correto passatempo fabricado sob medida para os gostos da Academia.

 

 

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