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Março 2, 2004Beckstage #03: Oscar 2004 No news... Is bad news por Pedro Beck Nada muito surpreendente nas entregas dos Oscars da Academia neste ano de 2004. O que não significa que tenha sido justo. Para começar, foi uma vergonha o boicote da Academia em cima da Miramax, deixando Cold Mountain de fora da disputa de Melhor Filme. Mas não foi tão vergonha, quanto à indicação de Mestre dos Mares - O Lado Mais Distante do Mundo, à mesma categoria. Mas quanto ao resultado final, nenhum imprevisto. Apesar de Encontros e Desencontros ser o favorito do publico cult e Sobre Meninos e Lobos ser o único concorrente a altura de O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei, o premio de melhor filme do ano foi mesmo para O Senhor dos Anéis. Na categoria de Melhor Direção, nenhuma surpresa. Peter Jackson saiu-se vencedor. Aliás, para parar com esse negócio de "nenhuma surpresa", Senhor dos Anéis levou onze Oscars, dos onze que concorria. Isso sim é uma surpresa. É questionável a indicação em onze categorias e não doze, um número a mais do número de prêmios que Bem-Hur e Titanic receberam. Fica a pergunta: Será que a Academia não queria que O Senhor dos Anéis fosse o único filme da história vencedor de não onze, mas doze Oscars? Fernando Meirelles e Peter Weir não tinham a menor chance como Melhores Diretores. Apenas Clint Eastwood tinha boas chances enquanto Sofia Coppola corria muito por fora. Foi justa a vitória de Jackson, mas não como o filme em si, mas como conjunto da obra. Mas ai voltamos ao ponto que o Oscar premia o melhor diretor de tal filme e não de três filmes. Um das categorias mais disputadas da noite, a de Melhor Ator, foi também justa, apesar de ter surpreendido um pouco. Não em relação aos méritos, mas sim em relação aos costumes da Academia.Os holofotes estavam em cima de Bill Murray e Sean Penn, os dois nunca aparecem nas cerimônias da Academia. Era bem certo que um dos dois sairia vencedor, mas o grande favorito era Murray, e quem levou o Oscar foi Penn, que fez um belo e controverso discurso, mas evitou falar muito de política, limitando-se a agradecer a Eastwood e o resto do elenco equipe de Sobre Meninos e Lobos. Ele foi aplaudido de pé, por toda a platéia. Melhor Atriz ganhou a protagonista de Monster: Charlize Theron, atriz que está na moda. Dentre suas quatro concorrentes, estava Naomi Watts, que havia sido injustiçada em 2001 quando não foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz por Cidade dos Sonhos do diretor David Lynch. Por mais impressionante que seja a transformação de Theron, assim como a de Nicole Kidman em As Horas, e por mais que fosse certa a vitória da atriz, Naomi Watts merecia mais, é mais atriz, mais madura e mais competente. Sua atuação em 21 Gramas é simplesmente perfeita. Na categoria de Melhor Ator Coadjuvante, houve sim uma surpresa. Não desmerecendo a atuação de Tim Robbins - maravilhosamente bem em Sobre Meninos e Lobos - a maioria acreditava na vitória de Benicio Del Toro por seu forte papel em 21 Gramas, no qual o ator considerou o maior papel de sua vida. Também concorriam Ken Watanabe por O Último Samurai, Alec Baldwin por The Cooler e Djimon Hounsou por Terra dos Sonhos. Mas no fim, Robbins saiu-se vencedor. E mais uma vez, quero lembrar o desprezo de Hollywood por Kevin Bacon, também coadjuvante em Sobre Meninos e Lobos e um dos atores mais renegados de Hollywood. A segunda atriz da moda é Renée Zellweger que levou a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante, por sua atuação em Cold Mountain: algo bem esperado também. Sua única forte concorrente era Patrícia Clarkson por Do Jeito Que Ela É. Nenhuma surpresa na categoria Longa de Animação com a vitória de Procurando Nemo, da Pixar, ex-Disney que por sua vez concorria com Irmão Urso. Por fora corria o francês As bicicletas de Belleville. Melhor Direção de Arte, Som, Efeitos Visuais, Figurino, Maquiagem e Trilha Sonora também foram parar na Terra-Média com o pessoal de O Senhor dos Anéis. Em todas essas categorias eram previstas as vitórias do filme. Agora, os três grandes absurdos foram nas categorias de Melhor Montagem, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Fotografia. Em Melhor Montagem, O Senhor dos Anéis também se saiu vencedor vencendo Cidade de Deus, o melhor na minha opinião. Em Melhor Roteiro Adaptado, novamente O Senhor dos Anéis levou a estatueta, tirando-a das mãos do pessoal de American Splendor, um absurdo. Era sem duvida o melhor roteiro adaptado do ano. Apesar disso, houve uma segunda surpresa, pois mesmo sendo o melhor, American Splendor não era o favorito, e sim Sobre Meninos e Lobos, a quem muitos davam como certa a vitória. Finalmente em Melhor Fotografia, era altamente provável que A Moça do Brinco de Pérola levasse o prêmio por sua excepcional fotografia, mas em um equivoco em massa quem ficou com as mãos cheias foi Mestre dos Mares, o único que com certeza não merecia. Aliás, o filme levou a estatueta de Melhor Edição de Som... Justo. O Oscar de Melhor Canção também pode-se dizer que foi uma surpresa. A vitória da música Scarlet Tide do filme Cold Mountain junto com a música You Will Be My Ain Tru Love também do mesmo filme, eram as favoritas. Mas a noite era de O Senhor dos Anéis que mais uma vez, saiu-se vencedor na categoria. Melhor Curta Metragem de Animação, Melhor Curta Metragem e Melhor Documentário de Curta Metragem não tenho opinião, mas foi bem legal ver o brasileiro Carlos Saldanha disputando a primeira categoria com seu spin-off de A Era do Gelo: Gone Nutty. The Fog of Wars surpreendentemente derrotou A Captura dos Friedmans, levando o Oscar de Melhor Documentário. O diretor de The Fog of Wars que eu esqueci o nome, é o mesmo de Mr. Death, outro bom documentário. Mas mesmo assim, "Friedmans", era sem dúvida o grande favorito e sem dúvida de novo, o que mais merecia, por ser o que ser... Um autêntico documentário: Aquele em que quando termina você está mais perdido do que quando começou. E felizmente, para não dizer que o Oscar foi por completo mais um besteirol americano, As Invasões Bárbaras e Encontros e Desencontros levaram os Oscars de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Roteiro Original respectivamente. Os Oscars mais merecidos da noite.
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