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Março 5, 2004 Na Companhia do MedoMathieu Kassovitz dirige um filme de terror estrelado por Halle Berry... No mínimo interessante... Ou quase isso por Pedro Beck Todo mundo vive perguntando o que há com Mathieu Kassovitz. Primeiro o diretor faz O Ódio, um sucesso mundial que reflete tensões sociais na França, e seu cinema é comparado ao de Quentin Tarantino. Depois dirige Rios Vermelhos e Na Companhia do Medo.O filme, que estrela Halle Berry não é ruim. Não mesmo, mas o que ninguém compreende é porque o francês Kassovitz está por trás da direção, e não um prata-da-casa americano qualquer. É um filme de suspense muito superior a outros por ai, talvez justamente pela direção, e mesmo tendo um roteiro fraco - não ruim, mas apenas com muitos clichês e jogos de câmera manjados nos filmes de terror - o filme consegue dar uns bons sustos e guardar seu segredo até o final. Assistindo à Na Companhia do Medo, o péssimo título nacional para Gothika, fica bem em evidência porque Hitchcock é considerado o mestre do terror (pela crítica e não pelos fãs). O diretor sabia unir uma bela direção, única, e ao mesmo tempo tinha em suas mãos um roteiro impecável, superbem amarrado do início ao fim. É justamente o que ocorre hoje em dia nos filmes de terror e suspense americanos. Quando há uma boa direção, o filme tropeça em um péssimo roteiro, e quando o roteiro é bem original, a direção é a mais convencional possível. Isso sem falar nas atuações das velhas e manjadas loiras virgens. Em suma, Na Companhia do Medo tem muitos fatores interessantes que fazem o filme ser bacana. Ao mesmo tempo em que definitivamente é apenas um filme de suspense, sem elementos de terror, tem imagens e acontecimentos bem assustadores e até bizarros. E por falar em acontecimentos, a trama gira em torno da Dr. Miranda Grey (personagem de Berry) que é uma psiquiatra de um instituto correcional psiquiátrico. Um dia, voltando para casa, ela presencia uma cena bizarra que da seqüência ao filme, fazendo com que três dias depois daquela cena, Miranda acordasse em uma das próprias celas do instituto onde ela trabalhava, acusada de assassinar o próprio marido, que a propósito, era diretor da instituição. Agora, a uma semana de seu julgamento, ela precisa correr contra o tempo para provar sua inocência. Por outro lado, o que mais impressiona no filme, não é nenhum enredo ou cena sangrenta e sim a perfeita (e surpreendente) atuação de Penélope Cruz, no papel de Chloe, uma das pacientes que Dra. Gray costumava tratar e que depois de internada, agora é sua única amiga. O filme também conta com Robert Downey Jr., na pele do médico Dr. Pete Graham, amigo de Miranda, por quem tem uma grande queda. Uma vez institucionalizada, tanto a ex-médica quanto Graham, precisam aprender a vencer a barreira paciente-médico com alguém que até poucos dias, era um grande amigo (a). Como todo filme de terror, não leve muito a sério, ou leve, sabendo que o diretor é quem é. O filme tem bons sustos, bons atores com boas interpretações, bons e muitos clichês como não poderiam deixar de faltar e sim, bons fatores únicos que dão certa originalidade ao filme. Não é mais um filme que o assassino revela-se o marido, ou a mulher. Ou até o padrasto ou a madrasta. Ou senão, como está na moda hoje em dia... Uma garotinha bonitinha, vestida de branco e com longas e escuras olheiras. Na Companhia do Medo (Gothika - EUA - 2003) Direção: Mathieu Kassovitz Elenco: Halle Berry, Penélope Cruz, Robert Downey Jr, Charless Dutton, John Lynch e Bernard Hill.
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