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Fevereiro 25, 2004


Eternal Sunshine Of The Spotless Mind


por Samuel


O Quê: Após descobrir que sua ex-namorada Clementine (Kate Winslet) passou por um bizarro processo psicoterápico para apagar todas as memórias do fracassado relacionamento, Joel (Jim Carrey) resolve fazer o mesmo. Grande parte do filme se passa dentro de sua mente, que parece não estar disposta a se livrar de sua amada.

Quem: Também estão no elenco Kirsten Dunst, Elijah Wood e Tom Wilkinson. A direção é do francês Michel Gondry.

Quando: 19 de março nos EUA, 21 de maio no Brasil.

Samuel diz: A assinatura de Charlie Kaufman ("Quero ser John Malkovich", "Adaptation") no roteiro já é garantia de uma comédia aloprada e ultra-original; somada à presença de Carrey como protagonista, é certeza de um programa imperdível.

Clique para assistir ao trailer.

Fevereiro 20, 2004


Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas

Uma aventura tão grande quanto a própria vida

por Pedro Beck


Depois de algumas mancadas violentas que não merecem serem incluídas neste texto, onde provavelmente perdeu uma parte de seu publico fiel, Tim Burton apresenta um filme diferente dos que o consagraram - bem diferentes - mas um filme que assim como seus grandes sucessos, é repleto de cores, fantasia, imaginação e excentricidade: um ótimo filme.

O que não se esperava é que Burton, diretor de Edward - Mãos de Tesoura, Ed Wood, A Lenda do Cavaleiro sem Cabeça e principalmente Beetle Juice, fosse lançar um filme quase-familiar digamos assim, retratando duas gerações da mesma família em conflito.

Que Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas é um título pra lá de bizarro, isto é. Mas mesmo assim, faz total jus ao filme que conta a história de Edward Bloom, vivido na juventude por Ewan McGregor e em dias mais tardes por Albert Finney. Ed Bloom, mais conhecido por todos é a maior sensação de Ashton, cidade onde mora. Porém, é um peixe fora d’água. Quando um gigante resolve fazer da cidade sua morada, Edward encontra a deixa perfeita para junto do gigante Karl, deixar para trás o local e partir para o mundo em busca de novas emoções.

O filme se divide em duas "story-lines". A primeira conta a história de Edward jovem, descobrindo os prazeres que a vida lhe oferece, como a sensacional cena em que descobre o amor de sua vida: Sandra. Na outra mão, o filme conta a história de Will Bloom, filho de Edward, que voltou para casa depois que a saúde de seu pai piorou.

'Peixe Grande' é uma das histórias mais bonitas contadas no cinema ultimamente. Possui todos as artimanhas para convencer todo tipo de público. É sombrio, esquisito, engraçado e diferente como todos os filmes de Burton. Mas o foco da história é um drama familiar, de um filho - no caso Will, interpretado por Billy Crudup - que retorna à casa dos pais para descobrir qual é a verdadeira face de seu pai, autor de histórias maravilhosas em que tem todo o prazer de contar para todo o mundo, apesar de Will não acreditar em sequer uma linha.

Todos que apreciam uma história colorida repleta de fantasias e lendas iram se deliciar com 'Peixe Grande'. Um visual emocionante e maravilhoso que retrata a vida de um homem que há certo ponto do filme você acredita que nunca morrerá de tão incrível que ele e suas histórias possam ser.

Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas (Big Fish - EUA - 2003)
Direção: Tim Burton
Elenco: Ewan McGregor, Albert Finney, Billy Crudup, Jessica Lange, Alison Lohman, Marion Cotillard, Matthew McGrory, Steve Buscemi e Helena Carter.

Fevereiro 14, 2004


Cold Mountain

Novo épico de Anthony Minghella é um dos melhores filmes da temporada

por Pedro Beck


Um fato normal e quase clichê é a maioria dos filmes que tratam sobre guerra - seja qual for - usar um pano de fundo relacionado a um certo alguém esperando outro certo alguém que partiu para tal guerra.

Em Cold Mountain, não é diferente. Mas apesar de o filme abordar um alguém deixado para trás, o fator inusitado, é este alguém ser praticamente uma estranha para o que se foi, lutar na estúpida guerra que foi a Guerra Civil Americana.

Inman - apenas isso -, brilhantemente interpretado por Jude Law, é um faz tudo metido a carpinteiro. Certa vez tem a chance de conhecer Ada Monroe, uma bela jovem filha do reverendo local. Ele tenta tirar, positivamente, o melhor proveito da situação e os dois acabam se encontrando mais vezes, devido ao contato inicial.

Os encontros de amigos, desde o começo com um forte "sex appeal", são reduzidos a um beijo, que seria na verdade um beijo de despedida. Um beijo no mesmo dia, e no mesmo minuto que Inman partia para a guerra, prometendo um dia voltar para os braços da bela e misteriosa Ada de quem pouco conhece mas quem muito o marcou.

Apesar da projeção ter mais de duas horas e meia, é deslumbrante e mesmo nas partes mais cansativas, é suficientemente agradável. Mas a fim de não tornas as tais partes cansativas em tediosas, o diretor Anthony Minghella introduz seu time de coadjuvantes de primeira linha mesclando entre o drama e a comédia.

Por um lado estão Renée Zellweger (indicada ao Oscar de melhor atriz coadjuvante por seu papel) e o excelente ator Philip Seymour Hoffman, que faz o papel de um padre renegado por sua comunidade ao ter relações sexuais com uma escrava.

E de outro lado temos ninguém menos que Donald Sutherland (JFK) e Kathy Baker (do maravilhoso Coisas Que Você Pode Dizer Só de Olhar Para Ela) interpretando o reverendo, pai de Ada e uma vizinha de jovem respectivamente. Além deles, outros bem conhecidinhos também tipo Giovanni Ribisi (Encontros e Desencontros) e Natalie Portam (Star Wars).

A personagem de Zellweger, Runy, torna-se a melhor amiga de Ada depois de uma série de acontecimentos dramáticos, e em um ótimo momento, justamente quando o filme começava a cair um pouco, perdendo seu fôlego, já que logo com dez minutos de filme, o personagem de Jude Law (que também foi indicado ao Oscar de Melhor Ator por seu papel) parte à guerra.

Nicole Kidman começa a me intrigar. Apesar de maravilhosa no papel, ela continua a apenas sussurrar suas falas, assim como fez durante todo o tempo em seus últimos filmes Dogville, Revelações, As Horas e Os Outros. Todos filmes rodados depois de Moulin Rouge!, o que talvez haja uma explicação - sarcástica, claro - que seria o fato de ela ainda estar se recuperando das cantorias trocadas junto com Ewan Mc Gregor no filme de Baz Luhrmann.

Apesar de todo o bom gosto do filme em um modo geral, mesmo sendo uma vergonha, é totalmente compreensível a não indicação ao Oscar, que nada mais é, do que um forte boicote da Academia em cima da Miramax que fora acusada de fazer campanha de seus filmes entre os membros da Academia. Aliás, a antecipação da cerimônia neste ano de 2004, foi mais um fator em relação a isso, de um modo geral. Agora, já a não indicação de Minghella, é outra coisa...

Cold Mountain é um dos melhores filmes da temporada, e mais um ótimo trabalho do diretor. Mesmo com um final um pouco previsível depois de uma hora de filme, o mesmo segura as pontas do começo ao fim.

Cold Mountain (Cold Mountain - EUA - 2003)
Direção: Anthony Minghella
Elenco: Jude Law, Nicole Kidman, Renée Zellweger, Kathy Baker, Philip Seymour Hoffman, Donald Sutherland, Natalie Portam e Giovanni Ribisi.

A Encantadora de Baleias

Vencedor de Melhor Filme em vários festivais, "Encantadora" é tudo que promete

por Pedro Beck


A Encantadora de Baleias, foi vencedor de Melhor Filme, nos seguintes festivais: Roterdã, Seattle, São Francisco, Toronto e São Paulo. Teria de ser no mínimo um filme maravilhoso. E mesmo sendo levado o tempo inteiro nas costas da personagem principal, é mesmo um excelente filme.

Keisha Castle-Hughes, é a atriz mais jovem de todos os tempos a ser indicada para Melhor Atriz no Oscar: ela tem 13 anos. Antes dela, apesar não ser na categoria de Melhor Atriz, o feito era de Anna Paquin, que foi indicada a melhor Atriz Coadjuvante, com apenas 11 anos de idade por sua atuação ao lado de Holly Hunter e Harvey Keitel em O Piano.

A personagem de Keisha, chama-se Paikea. Mas é chamada por todos de Pai. Quando nasceu, a mãe de Pai, morreu dando a luz e junto com ela, por problemas no parto, morreu o irmão gêmeo de Pai. O pai da garota, nunca conseguiu superar o ocorrido e a partir daquele dia começou a viajar o mundo atrás de novos ares.

O avô da garota, Koro, é outro que não se conforma com o que aconteceu no dia que Pai nasceu, por isso, procurando culpar alguém pelo desastre, culpa Pai.

A garota tem de confrontar o passado e tentar mudar o presente para quem sabe convencer seu avõ de que ela pode ser o novo líder da tribo deles: os Maori. O avô a despreza, pois acredita que o novo líder seria o irmão gêmeo de Pai, que morreu no parto.

Ela passa a lutar, ao lado de sua avó contra as repressões do avô, que a proíbe de praticar arte marciais e assistir as aulas que o mesmo, atual líder da tribo, da para os garotos da região: Koro procura um futuro líder. Mas sempre sem sucesso.

É uma historia contemporânea de amor, rejeição e superação baseada na vida de uma pessoa que sofre e é culpada pela morte de outros, mas sem ser o real causador dessa dor e tragédia. Ela precisa lutar contra tudo e todos, para provar ao avô de que é a sua sucessora na liderança dos Maori.

É um filme que deve ser visto, quase como um dever cívico. É bonito acompanhar a vida da garota e o talento da atriz. Vale lembrar que é o primeiro papel da vida de Keisha, que agora já confirou presença em Star Wars: Episódio III, último filme da saga que sai em 2005.

A direção e o roteiro é da neo-zelandesa NIki Caro, que dirige seu terceiro e mais bem sucedido projeto e que com a fama alcançada já tem um quinto filme em pré produção com direito e estúdio americano por trás e tudo mais.

A Encantadora de Baleias (Whale Rider - Nova Zelânida / Alemanha - 2002)
Direção: Nki Caro
Elenco: Keisha Castle-Hughes, Rawiri Paratene, Vicky Haughton, Cliff Curtis e Grant Roa

Fevereiro 10, 2004

Arsenal #02: The Breast

por Samuel



The Breast
by Freddie Femur

Everywhere I go / Everywhere I turn / Millions and millions and / millions and millions / Of, well... you know.
In my sleep / In my dreams / On the bus / And TV screen
In my school / In Greek folklore / We even send / them off to war!
Politicians / New rock stars / Is there no end / to where they are?
But I'm not sad / In fact, I'm glad! / What I am, stupid? / Don't answer that.
I'm glad they're here / What can I say / If not for them, / I might be gay!
Not that there's anything wrong with that. The end.


(Terry Moore em "Strangers In Paradise: High School")



Que não há limite para os truques que celebridades de todo tipo podem usar para se promover todo mundo já sabe desde que Britney e Madonna resolveram se tornar amantes lésbicas de mentirinha em toda oportunidade que aparece na frente. Mas o que aconteceria quando um desses esquemas tomasse forma justamente no dia da final do campeonato de futebol americano, quando o país inteiro pára e quase 150 milhões de americanos ligam a TV, ninguém podia esperar.

Pra quem ainda não sintonizou na novela: no intervalo do Superbowl, o evento esportivo mais importante do ano, Justin "poupe-meus-ouvidos" Timberlake rasgou o bustiê de Janet Jackson numa espécie de transe musical descabido (será que ele percebeu como sua voz é horrenda e teve um acesso de fúria?), provavelmente achando que ali embaixo tinha pelo menos mais alguma camada de tecido. Não tinha.

Chocante é saber que a poeira ainda não baixou: processos no nome da CBS (que transmitiu o jogo), MTV (que organizou o show em que tudo aconteceu) e até de Janet Jackson - que, coitada, só quer ver seu nome bater o do irmão em número de citações na imprensa - continuam aparecendo; petições e boicotes surgem a cada dia; pais revoltados vão ao programa do Dr. Phil dizer que seus filhos estão traumatizados (ok, não sei se isso aconteceu, mas é bem provável). E, pra completar, o fantasma da censura volta a assombrar os meios de comunicação dos EUA, e um seio à mostra revela também o puritanismo exarcebado de uma sociedade que acha que o número "21" do lado do "século" está lá de enfeite.

Como resultado, cortes em seriados como "ER", o cancelamento prévio de um reality-show da MTV que seria filmado numa escola (cujos pais dos alunos desautorizaram a produção após o acontecimento) e a determinação de um atraso de alguns segundos em transmissões ao vivo como a do Oscar, no próximo dia 29, para que dê tempo de censurar qualquer possível acidente.

Entre golpes de publicidade e essas interferências na programação aberta (determinadas pela FCC, o órgão do governo Bush que controla os veículos de mídia), difícil decidir o que é pior. O que eu sei é que as duas coisas de misturaram de um jeito que pouca gente vai esquecer. Pelo menos até o próximo Superbowl.

Ahhh, América...

* * *

FLASHBACK
Além de ser uma mão na roda para quem não tem grana pra comprar os boxed sets da série, a volta das reprises dos primeiros anos de Friends no Warner Channel (dias de semana às 12h30 e às 19h30) servem para comprovar que a inteligência da sitcom mais amada da TV despencou ladeira abaixo - na contramão dos salários do elenc
o. Triste.

* * *

ABOMINAÇÃO
Passeado pelas megastores e admirando o tanto de coisa de que eu não preciso, eis que topo com um presente que quem teve a idéia de criar deveria ganhar uma medalha de mentor intelectual do produto mais nefasto, obsceno, ultrajante, inútil, caça-níqueis, absurdo, descabido, nauseante e desprezível à venda em qualquer estabelecimento em qualquer país do mundo. Deu uma olhada na foto ao lado? Sim, é um pack com 3 filmes produzidos por ELE. Ou seja, chegamos ao ponto em que um produtor ganha um boxed set com seu nome. Alguém ainda duvida da parte do sujeito com o demo?

* * *

LINK DA SEMANA
Claro, como se a coluna fosse semanal... Bem, mesmo assim fica a sugestão do site do tablóide americano Weekly World News. Bizarro é pouco para definir esse trambolho que alguns chamam de jornal. E, sim, esse tipo de imprensa existe e se leva a sério... na medida do possível. O WWK, por sinal, foi quem primeiro deu a "notícia" sobre aquele suposto viajante no tempo interrogado por fazer fortuna em Wall Street. Enfim, qualquer site que estampe na home page manchetes como "Satã escapa do inferno" e "Seu anão de jardim pode ser um terrorista disfarçado!" merece uma visita.

Fevereiro 3, 2004


The Lost Skeleton of Cadavra


por Samuel


O Quê: Paródia de filmes de horror e ficção científica dos anos 50, filmado em P&B, traz um cientista e sua esposa disputando com um cientista louco e alienígenas humanóides o controle de uma subst?ncia contida num meteoro, capaz de despertar o amaldiçoado esqueleto do título.

Quem: Um elenco desconhecido sob o comando do diretor estreante Larry Blamire

Quando: Este mês nos EUA. No Brasil, não será surpresa se não chegar nunca.

Samuel diz: O trailer sozinho já é engraçadíssimo como tiração de sarro com os filmes B de sci-fi, mas um filme inteiro baseado nessa premissa dificilmente vai conseguir manter a graça.

Clique para assistir ao trailer

Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo

Reconstituição e batalhas são os pontos fortes do novo filme de Peter Weir, indicado a 10 Oscars

por André Sirangelo


Competente aventura marítima do mesmo diretor de "O Show de Truman", Mestre dos Mares: O Lado Mais Distante do Mundo atira a platéia no ano de 1805, ápice das guerras napoleônicas, a bordo de um navio de combate da marinha inglesa liderado pelo capitão "Lucky" Jack Aubrey (Russel Crowe).

Sob a sombra da derrota na batalha de Trafalgar pelos britânicos, os navios de Napoleão avançam cautelosos pelos mares do sul, investindo contra a frota inglesa e buscando enfraquecer uma das poucas nações européias que ainda resistem à expansão do império de Bonaparte.

No filme de Peter Weir, baseado numa série de romances do inglês Patrick O'Brien, porém, o foco está longe de ser o intrincado panorama político da época. Enviado aos mares do Brasil, o H.M.S. Surprise, sob o comando de Aubrey, se vê perseguido por uma embarcação francesa, o que culmina num espetacular confronto na costa do arquipélago de Galápagos. O roteiro isola o navio e sua tripulação, de modo que o mundo externo pouco importa, e o fiel retrato da rotina à bordo se torna o seu ponto alto, ao lado das sequências de batalha.

A performance morna de Crowe de certa forma ofusca a empatia que a figura do personagem-título poderia exercer sobre o espectador, e quem rouba a cena é Paul Bettany ("Dogville"), no papel do médico de bordo. Sem maiores destaques entre o elenco e sem muito mais o que dizer, "Mestre dos Mares" não se mostra como algo além de divertimento de luxo, mas também não cai em armadilhas fáceis que acometem tantos filmes de guerra, o que em si já é um grande trunfo deste bem dirigido e historicamente correto passatempo fabricado sob medida para os gostos da Academia.

 

 

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