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Março 26, 2004 Garganta do DiaboÓtimo thriller com Dennis Quaid e Sharon Stone que vai te segurar do começo ao fim por Pedro Beck Ao melhor estilo Cabo do Medo - do genio Scorsese - está Garganta do Diabo, de outro gênio: Mike Figgis, que não é muito conhecido por aqui mas é "aquele" diretor que fez Timecode, filme dividido em quatro imagens na tela cada uma com uma seqüência totalmente diferente da outra: sensacional. O estranho é entender porque essas pessoas estão fazendo filme de terror. Talvez porque terror esteja na moda, ou talvez porque as pessoas querem ganhar dinheiro. Mas por outro lado, ninguém que faz Timecode quer ganhar dinheiro, afinal de contas é cinema experimental. Outro nome que não poderia deixar de estar presente na listinha é o de Mathieu Kassovitz, afinal o cara fez O Ódio pra depois fazer Na Companhia do Medo com a Halle Berry. Pelo menos o filme é bom... É sim! Garganta do Diabo lembra muito mesmo Cabo do Medo, mas nada que atrapalhe e faça ser mal julgado. Apenas tem elementos em comum, como: uma cidadezinha, uma família unida que se ama e pretende super todos os obstáculos juntos (sem clichês não há filmes), um vilão interpretado por alguém bem conhecido, um vilão que mora na cidade, e que já esteve na prisão, ótimas atuações e por fim algo muito engraçado: Juliette Lewis. Sim, a atriz está em ambos os filmes. Se por um lado em Cabo do Medo tínhamos Nick Nolthe e Robert de Niro, aqui temos Dennis Quaid, Sharon Stone e Stephen Dorff. O último faz o vilão e os primeiros fazem os mocinhos. Ah, outra atuação ótima do filme é a da jovem Kristen Stewart que interpreta a filha do casal e que atuou ao lado de Jodie Foster em Quarto do Pânico... Muito boa mesmo. Tudo começa quando Cooper e Leah Tilson resolvem se mudar para o campo. O filho deles, Jesse, quase perde a vida em um acidente onde quase é atropelado e eles resolvem largar Nova York e partir para o campo, aonde chegam a Cold Creek Manor, fazendinha abandonada que mal sabem eles está cheia de cobras, cadáveres e se bobear até múmias andando em volta (A ultima parte é brincadeira, não se desencoraje a ver o filme). Tal fazendinha outrora foi de Dale Massie (Dorff) que acabou de sair da prisão por ter matado um cara em um acidente de carro. Tudo começa muito bem e até os primeiros quarenta minutos de filme, Dale é apenas um capataz que fica desfilando sem blusa em frente a piscinha onde Sharon Stone toma banho com os filhos. A revira volta acontece quando pela manhã, cada membro da família acha uma cobra em seus quartos e Cooper põe a culpa em Dale, dizendo que ele foi quem fez isso, pois querem que eles saiam da fazenda que um dia foi deles. E ai é a gota d¿água e o filme vira realmente algo sufocante e muito legal. Ao contrário de Robert de Niro em Cabo do Medo, Dorff não fica colocando o dedão na boca da Juliette Lewis e mandando ela chupar, ele transa com ela o tempo inteiro, ela parece ser a única vagabunda da cidade disposta a transar com o cara. E adivinhe de quem ela é irmã? Da xerife... Verdade! O que eu não entendi direito foi porque tentaram promover Cold Creek Manor, título original, como um filme de suspense sobre uma casa mal-assombrada cheia de espíritos. Eu não vi nenhum espírito! E não vi casa mal-assombrada também. Aliás, a casa parece um chiqueiro, não da nem pra acreditar que a Sharon Stone e Dennis Quaid mudaram pra lá... Cheia de fotos Polaroid da ex-dona da casa pelada. O filme também lembra um pouco o recente, Encurralada, mas sem toda aquela baboseira de seqüestro: aqui a coisa é mais pesada. O final não é nenhuma bomba, mas acaba segurando as pontas, provavelmente por causa da boa direção somada ao bom roteiro. Mesmo com as duas horas de filme - algo raro em filmes de suspense ou terror - acaba sendo uma ótima diversão. E Stephen Dorff como um maníaco louco, ajuda bastante. Garganta do Diabo (Cold Creek Manor - EUA - 2003) Direção: Mike Figgis Elenco: Dennis Quaid, Sharon Stone, Stephen Dorff, Juliette Lewis, Kristen Stewart, Ryan Wilson, Dana Eskelson e Christopher Plummer. Março 5, 2004 Na Companhia do MedoMathieu Kassovitz dirige um filme de terror estrelado por Halle Berry... No mínimo interessante... Ou quase isso por Pedro Beck Todo mundo vive perguntando o que há com Mathieu Kassovitz. Primeiro o diretor faz O Ódio, um sucesso mundial que reflete tensões sociais na França, e seu cinema é comparado ao de Quentin Tarantino. Depois dirige Rios Vermelhos e Na Companhia do Medo.O filme, que estrela Halle Berry não é ruim. Não mesmo, mas o que ninguém compreende é porque o francês Kassovitz está por trás da direção, e não um prata-da-casa americano qualquer. É um filme de suspense muito superior a outros por ai, talvez justamente pela direção, e mesmo tendo um roteiro fraco - não ruim, mas apenas com muitos clichês e jogos de câmera manjados nos filmes de terror - o filme consegue dar uns bons sustos e guardar seu segredo até o final. Assistindo à Na Companhia do Medo, o péssimo título nacional para Gothika, fica bem em evidência porque Hitchcock é considerado o mestre do terror (pela crítica e não pelos fãs). O diretor sabia unir uma bela direção, única, e ao mesmo tempo tinha em suas mãos um roteiro impecável, superbem amarrado do início ao fim. É justamente o que ocorre hoje em dia nos filmes de terror e suspense americanos. Quando há uma boa direção, o filme tropeça em um péssimo roteiro, e quando o roteiro é bem original, a direção é a mais convencional possível. Isso sem falar nas atuações das velhas e manjadas loiras virgens. Em suma, Na Companhia do Medo tem muitos fatores interessantes que fazem o filme ser bacana. Ao mesmo tempo em que definitivamente é apenas um filme de suspense, sem elementos de terror, tem imagens e acontecimentos bem assustadores e até bizarros. E por falar em acontecimentos, a trama gira em torno da Dr. Miranda Grey (personagem de Berry) que é uma psiquiatra de um instituto correcional psiquiátrico. Um dia, voltando para casa, ela presencia uma cena bizarra que da seqüência ao filme, fazendo com que três dias depois daquela cena, Miranda acordasse em uma das próprias celas do instituto onde ela trabalhava, acusada de assassinar o próprio marido, que a propósito, era diretor da instituição. Agora, a uma semana de seu julgamento, ela precisa correr contra o tempo para provar sua inocência. Por outro lado, o que mais impressiona no filme, não é nenhum enredo ou cena sangrenta e sim a perfeita (e surpreendente) atuação de Penélope Cruz, no papel de Chloe, uma das pacientes que Dra. Gray costumava tratar e que depois de internada, agora é sua única amiga. O filme também conta com Robert Downey Jr., na pele do médico Dr. Pete Graham, amigo de Miranda, por quem tem uma grande queda. Uma vez institucionalizada, tanto a ex-médica quanto Graham, precisam aprender a vencer a barreira paciente-médico com alguém que até poucos dias, era um grande amigo (a). Como todo filme de terror, não leve muito a sério, ou leve, sabendo que o diretor é quem é. O filme tem bons sustos, bons atores com boas interpretações, bons e muitos clichês como não poderiam deixar de faltar e sim, bons fatores únicos que dão certa originalidade ao filme. Não é mais um filme que o assassino revela-se o marido, ou a mulher. Ou até o padrasto ou a madrasta. Ou senão, como está na moda hoje em dia... Uma garotinha bonitinha, vestida de branco e com longas e escuras olheiras. Na Companhia do Medo (Gothika - EUA - 2003) Direção: Mathieu Kassovitz Elenco: Halle Berry, Penélope Cruz, Robert Downey Jr, Charless Dutton, John Lynch e Bernard Hill. Março 2, 2004Beckstage #03: Oscar 2004 No news... Is bad news por Pedro Beck Nada muito surpreendente nas entregas dos Oscars da Academia neste ano de 2004. O que não significa que tenha sido justo. Para começar, foi uma vergonha o boicote da Academia em cima da Miramax, deixando Cold Mountain de fora da disputa de Melhor Filme. Mas não foi tão vergonha, quanto à indicação de Mestre dos Mares - O Lado Mais Distante do Mundo, à mesma categoria. Mas quanto ao resultado final, nenhum imprevisto. Apesar de Encontros e Desencontros ser o favorito do publico cult e Sobre Meninos e Lobos ser o único concorrente a altura de O Senhor dos Anéis - O Retorno do Rei, o premio de melhor filme do ano foi mesmo para O Senhor dos Anéis. Na categoria de Melhor Direção, nenhuma surpresa. Peter Jackson saiu-se vencedor. Aliás, para parar com esse negócio de "nenhuma surpresa", Senhor dos Anéis levou onze Oscars, dos onze que concorria. Isso sim é uma surpresa. É questionável a indicação em onze categorias e não doze, um número a mais do número de prêmios que Bem-Hur e Titanic receberam. Fica a pergunta: Será que a Academia não queria que O Senhor dos Anéis fosse o único filme da história vencedor de não onze, mas doze Oscars? Fernando Meirelles e Peter Weir não tinham a menor chance como Melhores Diretores. Apenas Clint Eastwood tinha boas chances enquanto Sofia Coppola corria muito por fora. Foi justa a vitória de Jackson, mas não como o filme em si, mas como conjunto da obra. Mas ai voltamos ao ponto que o Oscar premia o melhor diretor de tal filme e não de três filmes. Um das categorias mais disputadas da noite, a de Melhor Ator, foi também justa, apesar de ter surpreendido um pouco. Não em relação aos méritos, mas sim em relação aos costumes da Academia.Os holofotes estavam em cima de Bill Murray e Sean Penn, os dois nunca aparecem nas cerimônias da Academia. Era bem certo que um dos dois sairia vencedor, mas o grande favorito era Murray, e quem levou o Oscar foi Penn, que fez um belo e controverso discurso, mas evitou falar muito de política, limitando-se a agradecer a Eastwood e o resto do elenco equipe de Sobre Meninos e Lobos. Ele foi aplaudido de pé, por toda a platéia. Melhor Atriz ganhou a protagonista de Monster: Charlize Theron, atriz que está na moda. Dentre suas quatro concorrentes, estava Naomi Watts, que havia sido injustiçada em 2001 quando não foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz por Cidade dos Sonhos do diretor David Lynch. Por mais impressionante que seja a transformação de Theron, assim como a de Nicole Kidman em As Horas, e por mais que fosse certa a vitória da atriz, Naomi Watts merecia mais, é mais atriz, mais madura e mais competente. Sua atuação em 21 Gramas é simplesmente perfeita. Na categoria de Melhor Ator Coadjuvante, houve sim uma surpresa. Não desmerecendo a atuação de Tim Robbins - maravilhosamente bem em Sobre Meninos e Lobos - a maioria acreditava na vitória de Benicio Del Toro por seu forte papel em 21 Gramas, no qual o ator considerou o maior papel de sua vida. Também concorriam Ken Watanabe por O Último Samurai, Alec Baldwin por The Cooler e Djimon Hounsou por Terra dos Sonhos. Mas no fim, Robbins saiu-se vencedor. E mais uma vez, quero lembrar o desprezo de Hollywood por Kevin Bacon, também coadjuvante em Sobre Meninos e Lobos e um dos atores mais renegados de Hollywood. A segunda atriz da moda é Renée Zellweger que levou a estatueta de Melhor Atriz Coadjuvante, por sua atuação em Cold Mountain: algo bem esperado também. Sua única forte concorrente era Patrícia Clarkson por Do Jeito Que Ela É. Nenhuma surpresa na categoria Longa de Animação com a vitória de Procurando Nemo, da Pixar, ex-Disney que por sua vez concorria com Irmão Urso. Por fora corria o francês As bicicletas de Belleville. Melhor Direção de Arte, Som, Efeitos Visuais, Figurino, Maquiagem e Trilha Sonora também foram parar na Terra-Média com o pessoal de O Senhor dos Anéis. Em todas essas categorias eram previstas as vitórias do filme. Agora, os três grandes absurdos foram nas categorias de Melhor Montagem, Melhor Roteiro Adaptado e Melhor Fotografia. Em Melhor Montagem, O Senhor dos Anéis também se saiu vencedor vencendo Cidade de Deus, o melhor na minha opinião. Em Melhor Roteiro Adaptado, novamente O Senhor dos Anéis levou a estatueta, tirando-a das mãos do pessoal de American Splendor, um absurdo. Era sem duvida o melhor roteiro adaptado do ano. Apesar disso, houve uma segunda surpresa, pois mesmo sendo o melhor, American Splendor não era o favorito, e sim Sobre Meninos e Lobos, a quem muitos davam como certa a vitória. Finalmente em Melhor Fotografia, era altamente provável que A Moça do Brinco de Pérola levasse o prêmio por sua excepcional fotografia, mas em um equivoco em massa quem ficou com as mãos cheias foi Mestre dos Mares, o único que com certeza não merecia. Aliás, o filme levou a estatueta de Melhor Edição de Som... Justo. O Oscar de Melhor Canção também pode-se dizer que foi uma surpresa. A vitória da música Scarlet Tide do filme Cold Mountain junto com a música You Will Be My Ain Tru Love também do mesmo filme, eram as favoritas. Mas a noite era de O Senhor dos Anéis que mais uma vez, saiu-se vencedor na categoria. Melhor Curta Metragem de Animação, Melhor Curta Metragem e Melhor Documentário de Curta Metragem não tenho opinião, mas foi bem legal ver o brasileiro Carlos Saldanha disputando a primeira categoria com seu spin-off de A Era do Gelo: Gone Nutty. The Fog of Wars surpreendentemente derrotou A Captura dos Friedmans, levando o Oscar de Melhor Documentário. O diretor de The Fog of Wars que eu esqueci o nome, é o mesmo de Mr. Death, outro bom documentário. Mas mesmo assim, "Friedmans", era sem dúvida o grande favorito e sem dúvida de novo, o que mais merecia, por ser o que ser... Um autêntico documentário: Aquele em que quando termina você está mais perdido do que quando começou. E felizmente, para não dizer que o Oscar foi por completo mais um besteirol americano, As Invasões Bárbaras e Encontros e Desencontros levaram os Oscars de Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Roteiro Original respectivamente. Os Oscars mais merecidos da noite.
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