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Fevereiro 25, 2005 Menina de OuroUma jovem esforçada e aspirante a boxeadora vê em um treinador veterano sua única chance de ser campeã mundial por Pedro Beck Million Dollar Baby é o tipo do roteiro que se fosse adaptado, e não original, as pessoas sairiam da sala de projeção e iriam correndo para seus computadores atrás de mais informações sobre Maggie Fitzgerald. Eu confesso, eu idolatraria aquela mulher. Mas então, como o filme é uma ficção, quem é o roteirista? Paul Haggis é a resposta. Mas a pergunta seguinte “O que ele já escreveu de significância?” tem uma resposta espantosa: Nada. Nothing. Zero. O roteiro é baseada no livro "Rope Burns", escrito pelo treinador Jerry Boyd sob o pseudônimo de F.X.Toole.Mas ainda bem, (quem viu sabe o que falo), é tudo uma ficção. Ficção brilhantemente dirigida pelo competente Clint Eastwood (Mystic River). Quanto a atuação da Hilary Swank (Meninos não choram) chega a ser ridícula de tão perfeita, sendo assim, não me prolongarei. É uma daquelas atuações “meant to be” onde a atriz nasceu para o papel. E merece com todas as forças levar a estatueta do Oscar na categoria em que concorre – melhor atriz. O filme conta uma história já batida: um relacionamento entre uma pessoa de idade e uma jovem. Parece a fórmula perfeita para arrancar lagrimas de um publico, seja essa a intenção ou não. (Vide Encontrando Forrester de Gus Van Sant e Sociedade dos Poetas Mortos de Peter Weir). Tudo começa quando Maggie aborda Frankie (Eastwood) nos bastidores de uma briga envolvendo um dos atletas de Frankie. Ela pede para ser treinada por ele e o mesmo a rejeita quase que automaticamente limitando-se em dizer que não treina garotas. Por persistência dela por algumas semanas (ela vai treinar na academia dele), e o fato de que seu melhor atleta o larga por outro treinador, Frankie decide aceitar o desafio de treiná-la impondo dezenas de regras a serem cumpridas. Ela praticamente chora e o abraça. Daí para frente é pancadaria para todos os lados (ela vence tudo!) e empolgação por parte de quem assiste. Mas você sempre fica com aquele gostinho de que algo ruim vai acabar acontecendo. E como em qualquer filme realista que se preze, eis que realmente acontece, e o filme mergulha em uma busca de valores e reflexões que te faz sentir um frio tremendo na espinha. Algo curioso que me deixou bastante sensível foi a atuação de Morgan Freeman, no papel de um sujeito bem simples e ex-boxeador que no passado também foi treinado por Frankie. E sua carreira fora interrompida por uma tragédia. A relação entre o personagem do diretor e do ator é comovente, os dois parecem dois irmãos discutindo sobre tudo, até mesmo sobre furos no dedão da meia. Os olhos negros e profundos de Eastwood não ajudam muito a segurar a emoção que você sente na pele vendo Maggie. E o background do personagem (ele não mantém contato com a filha) influi totalmente em sua relação com a aspirante à boxeadora. É um filme que impõe muito respeito na limitada lista de indicados a “melhor filme” e sem duvida, é mesmo o melhor filme. Se vai levar a estatueta ou não, são outros quinhentos. É provável que leve pouquíssimas das sete em que disputa, mesmo merecendo honrosamente cada uma delas. Parece mesmo ser o ano de Scorsese depois de tantas injustiças no passado e então Menina de Ouro entrara para aquele vasto grupo de “não ganhou por que?” sem nunca termos uma resposta que justifique a não coroação desta obra-prima contemporânea.
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