|
Desvendando a paranóia americana
O diretor Michael Moore explora a cultura belicista norte-americana no
multi-premiado documentário
Tiros em Columbine
Por André Sirangelo

Michael Moore daria um
bom comediante. Seu jeito bonachão e sua cara de maluco seriam ideais
para uma carreira de sucesso em programas como o Saturday Night Live,
mas o americano de Flint, Michigan, orientou sua trajetória no showbiz
num sentido bem diferente. Já conhecido pelo engajamento de seus
trabalhos, Moore se tornou um ícone do anti-belicismo e um herói dos
opositores da onda neo-conservadora que assola os EUA após o
documentário "Tiros em Columbine" e, mais especificamente, após o
discurso inflamado na cerimônia de entrega do Oscar, prêmio que levou
pelo filme.
"Tiros em Columbine" utiliza imagens de telejornais, vídeos
institucionais, entrevistas e até sequências em animação para desvendar
a cultura armamentista norte-americana, se aprofundando em episódios
marcantes como o massacre da Escola Columbine, quando dois alunos do
colégio abriram fogo contra alunos e professores, e o assassinato de uma
garota de seis anos por um colega de classe da mesma idade. A ironia que
Moore utiliza tanto nas imagens e apresentação de dados quanto em sua
narração se converte em perplexidade por parte do público, à medida em
que o diretor avança na análise da questão da posse de armas de fogo e
nas milhares de mortes que elas causam por ano no país.
Entre
os entrevistados, o cantor Marylin Manson, acusado de influenciar os
estudantes de Columbine; o animador e co-criador do desenho "South Park"
Matt Stone; e o ator e presidente de uma organização armamentista
americana Charlton Heston, esta uma conversa que demorou dois anos para
acontecer - Michael quase desistiu de entrevistá-lo, até que teve a
idéia de aparecer na casa do ator.
Apesar das acusações de manipulação de dados e encenações (a cena de
abertura, em que o diretor aparece abrindo uma conta em um banco e
ganhando um rifle de brinde, foi ensaiada, segundo a revista Forbes
americana, além de o próprio banco afirmar que o prazo para retirada da
arma é de dez dias), o documentário é uma visão chocante da paranóia em
que vive a sociedade americana do século XXI, e, encaixado na realidade
que se desdobrou durante e após a invasão americana no Iraque, se torna
ainda mais consistente.
Tiros em Columbine (Bowling For Columbine – EUA, 2002)
Direção:
Michael Moore |

O OLHO QUE TUDO VÊ
Cinco jovens num reality-show: o gancho para este
terror surpreendente
EMBRIAGADO DE AMOR
O novo filme de Paul Thomas Anderson
X-MEN 2
A nova aventura mutante é ainda melhor
CONFISSÕES DE UMA MENTE PERIGOSA
A estréia de George Clooney na direção
BOSTON PUBLIC
O início da nova temporada na FOX
CURB YOUR ENTHUSIASM
A HBO Brasil estréia a comédia vencedora do Globo
de Ouro
|