Plano Geral

Maratona carioca
Pedro Beck passou 14 dias isolado do mundo real nas salas escuras do Rio de Janeiro, e conta o que decepcionou, o que se destacou e o que fez história no Festival do Rio 2003

Por Pedro Beck

O Festival do Rio deste ano foi marcado por algumas ótimas surpresas e por outras muito ruins. Além de menos filmes terem vindo, em comparação ao ano passado, faltaram grandes produções de cineastas famoso, como houve na última edição, com O Pianista de Roman Polanski e A Festa Nunca Termina de Michael Witerbottom.

Entre os principais deste ano, os mais aguardados, destacam-se o novo filme de Sofia Coppola (Encontros e Desencontros),  os dois de Lars Von Trier (As Cinco Obstruções e Dogville) e Swimming Pool, de François Ozon.

Se tratando do mercado oriental, mais surpresas do que houve seria impossível. Dois dos cinco melhores filmes que assisti são orientais: Shara, belo drama japonês, e As Cinco da Tarde, que narra a trajetória de uma mulher afegã que deseja se tornar presidente depois que cai o regime talibã.

Também faltou glamour ao festival. Ano passado ninguém menos do que Roman Polanski apareceu, para mostrar ao Brasil O Pianista. Este ano, como prova do fracasso dos patrocinadores, a estrela-mor do festival foi Samuel L. Jackson, que veio apresentar seu filme, que acabou passando despercebido.

Filmes muito esperados como 21 Gramas e O Tempo do Lobo, não deram as caras (o segundo passará na Mostra de São Paulo), mas, num balanço final, deu para agradar a gregos e troianos mesmo o festival tendo sido, como sempre, um tiro no escuro.

Segue então o cronograma completo dos filmes a que assisti e um pequeno comentário sobre cada um deles.

SETEMBRO:
SEXTA-FEIRA, 26

Kat
Muito ruim, trash de pior qualidade onde um espírito entra em um gato e sai matando todo mundo.

Às Cinco da Tarde
Por um lado simples e inteligente, por outro pesado na mensagem.

Jagoda e o Supermercado
Ótima idéia, é engraçado. Mas na maior parte do tempo, bobo.

Um Certo Carro Azul
Singelo e bonito. Nada mais.

Verão Gelado
Inteligente, engraçado e dramático do começo ao fim.


SÁBADO, 27

A Prova
A princípio parece interessante, mas o filme se perde na monotonia e não é denso em nenhum aspecto abordado.

Em Nome de Deus
História muito bem contada e amarrada. Dirigido por Peter Mullan, o filme é fiel do começo ao fim, com boas atuações. Apesar disso, não é um filme para ganhar o Festival de Veneza, como aconteceu.

Música p/ Casamentos/Funerais
Bastante excêntrico e esquisito. Fala sobre as três mulheres da vida de um homem: uma totalmente diferente da outra. É agradável.

Anjo da Guerra
Ótima história com bons atores. Boa direção com um roteiro leve, porém consistente.


DOMINGO, 28

Medo X
Ótima atuação de John Turturro na pele de um policial que investiga a morte de sua esposa. O filme começa muito bem, mas embola conforme a trama vai se desenvolvendo.

A Vida Nova
Assistir a um filme francês onde os atores só falam russo e ainda sem legendas em nenhuma língua é complicado. Ainda sim, pelo o que se entende do filme, parece ser interessante. Fala do amor de três homens e a maneira em que os três o demonstram a uma mulher.

Shara
O filme começa muito bem, e forte, mesmo que implicitamente. Ao desenrolar da história, fica meio sem rumo, mas acaba bem do mesmo jeito.

Nossas Famílias Queridas
Engraçado, inteligente, moderno e divertido. Mas falta solidez no roteiro.


SEGUNDA-FEIRA, 29

Apaixonados
Horrível. Da a impressão de que você está assistindo a uma novela que tenta vender “sua marca”.

Hoje e Amanhã
Um de meus favoritos até o dia de hoje. Forte e bem verdadeiro, pela sinopse de cara, lembra Corra Lola Corra, mas o filme é original e puxa para um lado mais pesado, mesmo sem fortes emoções.

Angústia
O roteiro começa muito bem, o filme melhor ainda. Com o tempo e com o desenrolar da trama, vai se perdendo, dando voltas. Ainda sim é um bom filme em meio a um mar de decepções.

Fuso-Horário do Amor
Maravilhosa comédia com Juliette Binoche e Jean Reno. Mesmo sendo “bobinha” tem tiradas inteligentes e vale pelas interpretações dos protagonistas: de tirar o chapéu.


TERÇA-FEIRA, 30
 

Alegria da Loucura
Surpreendendo documentário sobre o filme “As Cinco da Tarde”. Mostra como é difícil fazer um filme em Kabul.

Falcões
Pura sessão da tarde. É monótono e bobinho. Por mais que não seja o pior do festival, é muito chato.

Encontros e Desencontros
Maravilhoso! Coppola não é mais um achado, e sim um nome sólido na lista dos melhores diretores atuais. O filme é divertidíssimo e o roteiro é muito bem escrito. Scarlett Johansson deslumbra. [Leia Mais]

Aos Treze
Filme bobo sobre o relacionamento de duas garotas em meio a sexo e drogas. Ótima atuação de Holly Hunter.


OUTUBRO:
QUARTA-FEIRA, 1º

Elefante
Não é algo de tão impressionante a ponto de ter quebrando as regras em Cannes, pela primeira vez na história do festival rendendo a um mesmo diretor, Gus Van Sant, os prêmios de Melhor Filme e Melhor Diretor. Porém, é realmente muito bom. Silencioso, mas fatal.

Geração Roubada
Muito fraco, apesar de ser uma história bonita e real

As Garotas do Calendário
Decepcionante.

Para Sempre Minha Vida
A bela direção transforma uma história boba de amor adolescente em algo ao bem interessante.


QUINTA-FEIRA, 02

O Jovem Adão
Bom filme, interessante com boas atuações de Ewan Mc Gregor e Peter Mullan.

As Dúvidas do Coração
Fraquíssimo como muitos dos últimos italianos feitos.


SEXTA-FEIRA, 03

Demonslover
Decepção total. O roteiro é fraco e a direção mais ainda. A edição ainda se salva.

Tão de Repente
Estranho, porém bom. O roteiro começa muito bem, dando a pinta de que será um ótimo filme, mas ele se perde no meio, não tendo o que falar.

Adeus, Lênin!
Maravilhoso! Imperdível. Consegue ser sensível e engraçado, sem cair no clichê. Muito inteligente.

Um Pouco do Céu
Fraco, muito fraco. É aquela uma hora e meia que parece não
ter fim.



SÁBADO, 04

A Borboleta Púrpura
Apesar de ter uma direção de arte muito boa, e uma fotografia regular, o filme é lentíssimo e se arrasta do meio para o fim em suas duas horas e meia de projeção.

Albergue Espanhol
Muito leve e engraçado.

Estranhos Jardins
O filme é uma lição de vida, uma das boas surpresas do festival.

O Inferno dos Porcos
Apesar de muito esquisito e confuso, é o tipo do filme em que você se satisfaz por ter visto. Literalmente, uma viagem.

Ken Park
Quem é fã de Kids e for assistir Ken Park esperando algo do gênero, sairá decepcionado. Muito ruim com muito sexo, nudez e violência gratuita.

Dogville
Uma obra-prima. Uma verdadeira aula de edição. Apesar de suas três horas de projeção, o filme não é cansativo e assim como As Cinco Obstruções, também de Von Trier, foi uma das maravilhas imperdíveis do festival. Pode vir a revolucionar o jeito de fazer cinema.
[Leia Mais]


DOMINGO, 05

Bergman Intermezzo
Confissões de Dogville

Ambos os documentários são muito interessantes. O primeiro principalmente, por não ser uma coisa comum, ver Bergman em frente às câmeras. O segundo é um “must-see”, pois faz você gostar ainda mais do filme.

Segunda Feira ao Sol
Inteligente e divertido. É um verdadeiro drama social. Destaque para a atuação do excelente ator Javier Bardem.

Swimming Pool
Um legítimo François Ozon com um roteiro perfeito. Ótimas atuações e rostos já conhecidos para os fãs de Ozon.

Osama
Boa história e boas atuações. Mas o roteiro é cansativo e a direção não convence.


SEGUNDA-FEIRA, 06

Passagem Para Jerusalém
Uma boa surpresa.

Pieces of April
Não convence.
Mesmo tendo boas atuações por parte dos coadjuvantes, não convence.

Ricordati Di Me
Maravilhoso, assim como Para Sempre Minha Vida, do mesmo diretor.


TERÇA-FEIRA, 07

Bom dia, Noite
Uma das maiores decepções do festival. Chegou como uma das grandes promessas mas pecou no roteiro confuso que não leva a lugar algum.


QUARTA-FEIRA, 08

Traje de Gala
Engraçado, com boas atuações. Nada demais.

Voltando Para Casa
Ótima história sobre uma mãe que busca uma cura para seu filho canceroso. Falha na direção.

Auto Focus
Muito bom, ótima surpresa. Biografia da vida do famoso ator Bob Crane que atuou na série “Hogan’s Heroes” e que morreu assassinado misteriosamente no final dos anos 70.

Confidence
Boa surpresa com um ótimo desfecho.


QUINTA-FEIRA, 09

Anti-Herói Americano 
Uma obra prima. Mistura cinema com realidade em parte ficção, parte documentário. Contém entrevistas com o verdadeiro Harvey Peker, o criador da revista em quadrinhos que dá nome ao filme. Um dos filmes mais engraçados dos últimos tempos.

A Vingança
Um dos piores do festival. Nem mesmo com a boa atuação de Roman Polanski o filme se salva.

Quimera
Só não é pior do que já é, porque é curto. 67 minutos de projeção.

[topo]

 

DOGVILLE
De Lars Von Trier, um dos maiores destaques no Festival de Cannes 2003

ENCONTROS E DESENCONTROS
Sofia Coppola mostra que amadureceu

 

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