Plano Geral

Encontros e Desencontros
O novo longa de Sofia Coppola, um dos mais concorridos no Festival do Rio deste ano, prova que a diretora amadureceu e está no caminho de se tornar um dos principais nomes do cinema independente.

Por Pedro Beck

Sofia Coppola é algo de mais incrível. Como diretora e roteirista, é inovadora: Sabe contar uma história, milhares de vezes já contadas, mas neste caso, sem cair no clichê, e buscando ir até o fundo da alma em cada conflito.

Em “As Virgens Suicidas”, ela surpreendeu. Provou não ser só a filhinha do poderoso Francis Ford Coppola, e dona de uma das piores interpretações já feitas no cinema quando atuou em “O Poderoso Chefão 3”, mas sim um novo nome que surge em Hollywood com seu próprio brilho e cativa.

Agora, em Encontros e Desencontros, Coppola está mais madura, e conseguiu desenvolver melhor seu roteiro, buscando sempre situações manjadas envolvendo uma relação, mas nunca entrando ou abordando a fundo nenhuma situação arriscada: apenas pincelando. 

O segundo longa de Sofia Coppola conta a história de Bob Harris (Bill Murray), um ator americano que viaja à Tóquio, para gravar um comercial de whiskey. Porém sua estadia é confusa, e não consegue se acostumar com o fuso horário, gerando horas de insônia.

Certa noite em seu hotel conhece Charlotte (Scarlett Johansson), uma americana que acompanha seu marido, um fotógrafo, em sua viagem. Assim como Bob, Charlotte tem problemas para dormir, e então os dois mergulham em uma amizade onde procuram desfrutar do melhor prazer em que uma companhia pode lhe oferecer.

Bill Murray neste filme é algo surpreendente. Acostumado a vê-lo em filmes bobos de sessão da tarde, o ator surpreende e é inspirado por Coppola, a ter uma das melhores atuações do ano, pela qual provavelmente será nomeado ao Oscar.

Johansson, que recentemente atuou em “O Homem Que Não Estava Lá”, vai além: prova ser uma das melhores revelações dos últimos anos, alguém que passa convicção e maturidade mesmo atuando em cima de um personagem complexo. Ela convence e encanta.

Sempre de forma cautelosa, singela, simples, o filme nada mais é do que a história de dois estranhos que se conhecem em um lugar estranho para os mesmos, e se dão muito bem, vivendo uma amizade intensa.

Lost In Translation – EUA – 2003
Direçao: Sofia Coppola
Elenco:
Bill Murray, Scarlett Johansson e Giovanni Ribisi

IDENTIDADE
Você não pode perder o melhor suspense do ano.

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