Plano Geral // As Horas

O Pianista
A história de um músico polonês perseguido por sua religião durante a Segunda Guerra é o tema do novo filme de Roman Polanski

Por Pedro Beck

O novo filme de Roman Polanski é totalmente a sua cara, ao seu jeito. Assim como Chinatown, o filme conta uma manjada história (dessa vez: Segunda Guerra Mundial), mas com o foco centrado em um simples pianista. Porém, igual a todos os seus filmes, é um relato de fatos, e não de emoções. Por mais que O Pianista seja puro, verdadeiro, bonito e comovente, pode-se chamar também de um filme “frio”. Não que por trás disso haja uma má interpretação por parte do protagonista ou uma má direção por parte do diretor, muito pelo contrário, é essa “assinatura” que faz brilhar o trabalho de Polanski, um filme que não te faz chorar, mas é tão deprimente quanto Filadélfia (clássico dramático sobre preconceito contra o aidético) ou um Domingo Sangrento da vida... (o segundo, documentário falso sobre o famigerado episódio da história da Irlanda, focado em um mediador católico).

O Pianista conta a história de Wlady Szpilman, um pianista polonês (e judeu) muito conhecido onde mora, que sobrevive às bombas plantadas pelos alemães em Varsóvia. Ele presencia desde a ameaça de guerra, passando pela chegada dos alemães, a construção do bairro judeu e o muro que dividiria Varsóvia até a partida forçada de seus parentes e a situação critica em que se encontra, onde, sozinho, precisa se esconder, sem exercer sua profissão, e o mais difícil: ser um ninguém, morando “no coração da colméia”. Com o passar do filme e com o começo da extinção dos judeus e a chegada da tropa francesa, Wlady vai encontrando pessoas de seu passado e até os que ele considerava serem seus inimigos, e continua sua batalha em prol da sobrevivência.

Incrível como, ao contrário da maioria dos anos, o Oscar possui tão poucos filmes indicados, o que gerou uma lista enorme de indicações para cada filme, como Chicago, que concorre (e não deveria) a treze estatuetas. O Pianista por sua vez, não fica atrás e está concorrendo a sete Oscars, incluindo Melhor Filme, Melhor Diretor (Polanski, claro), Melhor Ator para Adrien Brody (que faz o papel de Wlady) Melhor Roteiro Adaptado (Ronald Harwood, Roman Polanski e Wladyslaw Szpilman, sim, o filme trata de uma história real, existiu mesmo o brilhante pianista em questão e há um livro escrito por Szpilman para os interessados), Melhor Fotografia (Pawal Edelman), Melhor Figurino e Melhor Montagem.

Talvez O Pianista não tenha tanta sorte, e não fature tantos prêmios, é quase certo. Mas o que é mais certo ainda, é que definitivamente, com tantos filmes visados como As Horas, Chicago, Gangues de Nova York  etc..., Esse não era um ano para O Pianista concorrer. Não que o filme deveria ter sido guardado, isso é proibido, basta lembrar das pressões que os roteiristas e diretores sofrem dos estúdios, mas isso, somado ao abundante número de estatuetas que cada filme do Oscar concorre, é a prova de que pouca coisa realmente grandiosa tem saído de Hollywood, ou se você preferir, é a prova de que pouca coisa realmente grandiosa (e merecedora) tem entrado em Hollywood.

Polanski retorna mais uma vez às suas origens, onde ninguém questiona seu carisma, e presenteia o ano não só com mais um filme sobre a Segunda Guerra, mas com um filme sobre a perda de uma família, o preconceito religioso, a dificuldade da sobrevivência em um campo de concentração, e a possibilidade de assistir à tragédia, de ambos os lados.

O PIANISTA (The Pianist - EUA, 2002)
Direção: Roman Polanski
Elenco: Adrien Brody, Emilia Fox, Michal Zebrowski, Ed Stoppard, Maureen Lipman

CHICAGO
Estréia um dos favoritos ao Oscar 2003

AS HORAS
Três mulheres de diferentes épocas ligadas por um romance de Virginia Woolf

THE SHIELD
Saiba o que acontece na segunda temporada

ADAPTAÇÃO
O filme sobre o roteiro do filme sobre o livro sobre o cara das orquídeas

 

| HOME | NOTAS | ARTIGOS | COLUNAS | ETC. | LINKS | CONTATO
© 2003