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X-Men 2
A segunda aventura dos mutantes da Marvel no cinema é maior, melhor e um
exemplo de blockbuster que não deixa de lado a qualidade do roteiro
Por André Sirangelo

Quando Magneto usa seus
poderes de manipulação de metais para arrancar a distância os pinos de
dezenas de granadas e detonar um exército inteiro (as granadas eram
deles!), o espectador que assiste a X-Men 2 (X2: X-Men United) já
percebeu há algum tempo que, por essa e outras passagens bastante
inspiradas do roteiro, este não é apenas mais um filme de super-heróis:
é um BOM filme de super-heróis. E isso faz toda a diferença.
X2 é, sim, um show de cenas de ação e efeitos especiais, algo
obrigatório para um projeto de tamanha ambição (que inclui 40 milhões de
dólares investidos em marketing e uma campanha inédita de lançamento
simultâneo mundial), mas também é bem mais do que isso. O grande mérito
do longa de Bryan Singer é manter o foco no dilema principal da
trajetória dos mutantes criados por Stan Lee - seu conflito com o
restante da humanidade - e na intolerância que os persegue, um vilão que
não pode ser combatido com poderes de super-herói.
Com o orçamento inflado pelo sucesso de X-Men (2000), Singer
reuniu o mesmo elenco e pôde trabalhar com uma história mais longa e
mais complexa, em parte baseada na graphic novel "God Loves, Man Kills"
(1982), de Chris Claremont. Enquanto Wolverine (Hugh Jackman) busca por
respostas acerca de seu passado, Tempestade (Halle Berry) e Jean Grey (Famke
Janssen) são encarregadas de recrutarem um novo mutante para a equipe, o
alemão Kurt Wagner, conhecido como Noturno (Alan Cumming). Porém, a
invasão da escola de mutantes e o rapto do Professor Xavier obrigam a
equipe a se juntar a Magneto (Ian McKellen), o vilão do primeiro filme,
para impedir que o fanático general William Stryker (Brian Cox) execute
seu plano de eliminar os mutantes do planeta.
  
Além de Noturno, a equipe foi reforçada por Bobby Drake / Homem de Gelo
(Shawn Ashmore), namorado de Vampira (Anna Paquin), e pelo esquentadinho
Pyro (Aaron Stanford), os três compondo o núcleo "teen" dos X-Men. Pyro,
aliás, é um dos personagens cujo destino enfatiza o caráter episódico da
produção: preparando o terreno para novas seqüências, os produtores
trataram de deixar diversas pontas soltas na história, principalmente o
final, que a essa altura não é mais segredo para ninguém, mas mesmo
assim é melhor não comentar para não estragar nenhuma surpresa. Só digo
uma coisa: olho aberto na última tomada antes dos créditos, não fui só
eu que vi coisas esclarecedoras por lá...
Se depender dos números de bilheteria do fim de semana de estréia,
X-Men 3 não deve demorar para aparecer. Já se fala também num filme
solo de Wolverine. Independentemente de uma continuação, a franquia já
pode ser considerada a mais bem-sucedida adaptação de quadrinhos do
cinema, tanto em termos financeiros quanto de qualidade, afinal X-Men
2 é a melhor notícia para quem acreditava que um blockbuster com
roteiro inteligente era algo paradoxal.
X-Men 2
(X2:
X-Men United
– EUA, 2003)
Direção:
Bryan Singer
Elenco:
Hugh Jackman, Patrick Stewart, Ian
McKellen, Halle Berry, Famke Janssen, James Marsden, Rebecca
Romijn-Stamos, Alan Cumming, Anna Paquin, Brian Cox |

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