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A vida em cor-de-rosa
“The thing you need to know is: it’s all about sex”. Com esta frase de impacto começava, há três anos, no canal a cabo americano Showtime, o primeiro episódio de Queer As Folk, um seriado que entraria para a história como um dos mais polêmicos programas de TV já produzidos. Alguns amaram, outros criticaram ferozmente, outros se sentiram insultados e exigiram o fim desta série “pornográfica e danosa à sociedade”. O motivo de tanto barulho foi um só: Queer As Folk é o primeiro seriado centrado na vida de personagens gays a ser produzido no país.
Duas temporadas e 42
episódios depois, os ânimos se acomodaram e QAF se consagrou como
a maior audiência do canal. No Brasil, o Cinemax, da operadora TVA,
passou a exibir a série nas madrugadas de sexta, com o título de Os
Assumidos, e prepara a estréia do terceiro ano para o dia 6 de
junho, à meia-noite, com reprise na terça, dia 10. AMIGAS LÉSBICAS E SEXO COM MENORES Como a linha de diálogo inicial pressupõe, não se trata de advogados assexuados morando com amigas hétero, nem de teens atormentados que aparecem beijando seus namorados de cinco em cinco temporadas. Os personagens fogem dos estereótipos gays da TV, são realistas, consistentes e... sim, aparecem fazendo de tudo. Mesmo. Baseado numa série inglesa de apenas 10 episódios produzida em 1999, Queer As Folk traz como protagonistas o publicitário Brian Kinney (Gale Harrold) e seu amigo de infância Michael Novotny (Hal Sparks). Michael sempre foi apaixonado por Brian, mas este só está interessado em fisgar novos parceiros a cada ida à danceteria Babylon, no bairro gay de Pittsburgh, onde a história é ambientada. Numa dessas vezes ele conhece Justin (Randy Harrison), um jovem desenhista de 17 anos (está começando a perceber o motivo de tanto escândalo?) às voltas com a descoberta de sua homossexualidade, na mesma noite em que sua amiga lésbica Lindsay (Thea Gill) dá a luz ao filho que ele ajudou a conceber, para ela criar ao lado da namorada Melanie (Michelle Clunie). Brian leva Justin para a cama, e este, apaixonado, passa a persegui-lo em busca da única coisa que ele jamais cogitaria oferecer: um relacionamento. Além do casal Melanie e Lindsay, os personagens secundários incluem o divertido Emmett (o assumido Peter Paige), com quem Michael divide um apartamento, e o advogado Ted (Scott Lowell), o mais velho e “encalhado” do grupo. A mãe de Michael, Debbie (Sharon Glass) é uma atração à parte, já que trabalha como garçonete num bar gay da cidade, e encara com naturalidade e orgulho a sexualidade do filho - ao contrário da mãe de Justin (Sherry Miller), que entra em parafuso ao descobrir que o garoto está apaixonado por um homem.
O primeiro episódio da nova temporada começa com um flash-forward de Brian dando um soco em Michael. Até descobrirmos o por quê da agressão, vemos Michael convidando seu namorado Ben (o também gay na vida real Robert Gant, de Popular) para morar com ele, Ted e Emmett lidando com o dilema de transformar sua amizade em algo mais profundo após o beijo do episódio anterior, e Melanie e Lindsay dando uma festa para comemorar seu oitavo ano de união, na qual Justin aparece... com Ethan. Segundo Ron Cowen, produtor da série ao lado de Daniel Lipman, em entrevista à CNN, “de certa forma este é o ano dos casais”, já que ao longo dos 14 novos episódios veremos o desenrolar dos relacionamentos entre Ted e Emmett, Justin e Ethan, Michael e Ben – que é HIV positivo - , Melanie e Lindsay, que cogitarão a “encomenda” de um segundo pimpolho, e até um romance heterossexual, o de Debbie e o detetive de polícia Carl Horvath (Peter MacNeil). Para Cowen, os seis episódios a menos em relação à temporada anterior podem colaborar para dar um ritmo mais ágil à série. “Podemos estruturar a temporada de uma maneira que seria mais difícil de fazer com um número maior de episódios", afirma ele, "O arco de histórias se desenvolve melhor em 14 capítulos”. Com todos os personagens devidamente encaminhados, é de se esperar que a série retome tanto a agilidade como os bons roteiros que a tornaram não apenas um programa diferenciado e polêmico, mas uma opção de real qualidade na televisão. |
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