Plano Geral

Beckstage #02 - 16/05/03
Estão acabando com as nossas séries!

Por Pedro Beck

Salve-se quem puder! Estão acabando com nossas séries! E não é de hoje...

É cancelamento atrás de cancelamento. Todos os seriados que acompanhamos por canais de assinatura aqui no Brasil estão sendo cancelados por executivos gananciosos das emissoras norte-americanas.

Nós, o publico, fazemos a nossa parte: assistimos fielmente nossas séries todas as noites, esperando por mais seqüência de dramas ou comédias e desenvolvimento de personagens. Então, por quê diabos “eles” não fazem a parte deles e mantêm nossas séries no ar?

É realmente complicado entender o que se passa dentro da cabeça dos produtores de TV. Mas, mais complicado ainda é eles entenderem o quanto nós podemos nos identificar com uma série de TV a ponto de amá-la do fundo de nosso coração, não perder um episódio em nenhuma temporada, e lutar, fazer de tudo para que outras pessoas assistam ao programa e que o mesmo vire, quando chegar ao seu fim, uma ótima e tentadora lembrança.

Para nós, os personagens são verdadeiros! Para eles, são apenas números de audiência. Para nós, uma cena mais ousada significa desenvolvimento de personagem. Já para eles, significa “apelo-em-troca-de-audiência” como recentemente, quando a rede ABC levou ao ar um episódio da série Alias onde a seqüência inicial mostrava a protagonista da série Sydney Bristow (Jennifer Garner) se insinuando, semi-nua.

É série atrás de série: Arquivo X (tudo bem que essa deveria ter acabado quando o protagonista, Fox Mulder (David Duchovny), deixou a série. Mas isso são outros quinhentos, pois a série mantinha ainda uma boa audiência e merecia mais respeito), Roswell, Dark Angel, Ally McBeal, Buffy, John Doe, e por ai vai... A cada dia, centenas de pilotos de seriados são realizados e dessas centenas, a maioria deles são recusados ou por altos custos ou por não passarem de imitações baratas de séries já em exibição.

Casos como Os Pistoleiros Solitários e Girls Club são mais comuns do que imaginamos. Algumas séries, nem chegam a ser notadas, pois levam ao ar apenas dois ou três episódios antes de serem canceladas. Então, a pergunta: Para quê produzi-las? Se as chances da série não ser um estouro são grandes, para quê levá-las ao ar? E como manter uma série no ar se promos da mesma mal são veiculados pela emissora e pelas ruas da cidade e sites da Internet?

É difícil acreditar e aceitar o cancelamento de uma série que gostamos. É o quase como perder alguém próximo, que você vê todo dia, pois fica aquele aperto no coração de saber que você nunca mais verá aquelas pessoas, aqueles lugares e nunca mais ouvirá histórias sobre eles.

Mas uma coisa talvez sirva de consolo; talvez ninguém, nem o produtor mais (insira aqui o seu palavrão predileto) poderá nos impedir de vivermos intensamente todos os segundos e todos os momentos antes do inevitável fim, antes que nossos personagens e ídolos que tanto nos inspiram se vão para sempre.



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