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Elemento X #01 - 28/03/03 Este ano, o Oscar, que é um prêmio comercial dado pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, completou seus 75 anos. Foi realizado sob o medo e a ameaça de um possível atentado. Mas não podemos deixar de dizer que esta eminente preocupação, talvez, tenha mudado algo na cabeça de seus eleitores. Desde o início da noite, quando o excelente A Viagem de Chihiro” (que esteve por aqui em diversos festivais e ganhou ano passado o Urso de Ouro de melhor filme em Berlim -junto com Domingo Sangrento) ganhou o prêmio de melhor longa de animação, vencendo o forte concorrente “A Era do Gelo”, percebemos que algo estava mudado. Acredito que outro momento importante, porém previsível, foi a vitória de Michael Moore e seu genial documentário Bowling for Columbine, que também esteve por aqui nas mostras internacionais do Rio e de São Paulo. O documentário traz uma forte e feroz crítica ao sistema americano e suas conseqüências. Entre erros e acertos, os prêmios de Efeitos Especiais e Edição de Som foram dados ao segundo filme da trilogia O Senhor dos Anéis - As Duas Torres. Os prêmios de Montagem, Som, Figurino e Direção de Arte foram dados ao superficial musical Chicago. Já os prêmios de Maquiagem e Trilha Sonora foram dados a Frida, ainda inédito por aqui. Surpreendentemente, o prêmio de melhor canção foi dado ao rebelde e ousado rapper Eminem, por 8 Mile e o prêmio de melhor fotografia foi, merecidamente, para Estrada para Perdição. O prêmio de Filme Estrangeiro, que é sempre tão disputado, este ano andava meio esquecido. O favorito era Hero de Zhang Yimou, mas quem acabou levando foi o representante alemão Nirgendwo in Afrika. Em relação aos três prêmios dados a curtas-metragens (filme, documentário e animação), nada posso falar, pois não tive a oportunidade de vê-los. Os prêmios de Roteiro Adaptado e Roteiro Original foram dados, respectivamente, para O Pianista e Fale com ela. Os prêmios foram muito bem dados, porém acredito que havia melhores concorrentes. Em relação aos atores, nenhum filme levou mais de um Oscar. Catherine Zeta-Jones ganhou melhor atriz coadjuvante por sua boa interpretação em Chicago. Já Chris Cooper ganhou melhor ator coadjuvante (esta que talvez fosse a categoria mais disputada) pelo brilhante Adaptação. Na categoria principal, Nicole Kidman ganhou, justamente, pelo maravilhoso As Horas e Adrien Brody (merecidamente e surpreendentemente) por O Pianista. O melhor momento da noite foi somente ao seu final, quando inexplicavelmente, o prêmio de Melhor Direção foi dado a Roman Polanski (O Pianista), que por motivos que todos sabem, não pôde comparecer à festa. O prêmio de Melhor Filme ficou com Chicago. O grande azarão da noite foi Gangues de Nova York, de Martin Scorcese que, dentre 10 indicações, não levou nenhuma. *Gustavo Beck é diretor, roteirista e irmão do co-editor do PG, Pedro Beck, como denuncia o sobrenome; e está atualmente finalizando o curta "Intolerância". |
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